Satânico é meu pensamento a teu respeito, e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem.
A noite era quente e calma e eu estava em minha cama quando, sorrateiramente, te aproximaste. Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor.
Percebendo minha aparente indiferença, aconchegaste-te a mim e mordeste-me sem escrúpulos até nos mais íntimos lugares.
Eu adormeci. Hoje, quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão.
Deixaste em meu corpo e no lençol provas
irrefutáveis do que entre nós ocorreu durante a noite.
Esta noite recolho-me mais cedo para, na mesma cama, te esperar.
Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força... Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos. Não haverá parte do teu corpo em que meus dedos não passarão. Só descansarei quando vir sair, o sangue quente do teu corpo. Só assim, livrar-me-ei de ti,
Pernilongo Filho da Puta!
Drummond
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